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Páteo de São Miguel

PC650

Fundação Eugénio de Almeida ©Foto Fernando Guerra

 

O Páteo de São Miguel encontra-se localizado num dos pontos mais nobres e estratégicos da cidade de Évora e, por essa razão, foi objeto de diversas ocupações ao longo da sua história.

 

A primeira ocupação deste espaço teve essencialmente uma finalidade defensiva, determinada pela sua própria localização no ponto mais elevado da cidade que dificultava não só o acesso das forças inimigas em caso de ataque, como permitia dominar uma vasta área da planície circundante e manter contacto visual com outras fortificações. O espaço ocupado pelo Páteo de São Miguel constituía um ponto nevrálgico da estrutura defensiva da cidade, pelo que foi Alcácer Mourisco e parte integrante do Castelo Velho de Évora.

 

Depois da conquista da cidade aos Mouros, em 1165, a fortificação foi entregue pelo Rei D. Afonso Henriques à Ordem Militar de São Bento de Calatrava, que mais tarde transferiu a sua sede para Avis, passando a designar-se Ordem de Avis. Durante o período em que a Ordem se encontrou sediada em Évora, os seus Cavaleiros, também conhecidos por Freires de Évora, habitaram as casas do Castelo Velho e outros espaços nas imediações dando lugar ao surgimento dos topónimos “Freiria de Cima” e “Freiria de Baixo” que denominam duas ruas da cidade.

 

A partir de 1220, o Paço de São Miguel foi reintegrado na Coroa como paço régio, tendo servido de pousada a todos os reis até D. Duarte e de quartel-general ao Condestável D. Nuno Álvares, fronteiro-mor do Alentejo, durante a guerra da Independência (1383-85).

 

Um testemunho da relevância militar e política deste espaço na Idade Média chega-nos através de Fernão Lopes, um importante cronista português do século XV. Durante a crise de 1383-1385, os partidários em Évora de D. Leonor Teles e de D. João II de Castela barricaram-se no interior do Castelo. Com o objetivo de ocupar esta posição, os apoiantes de D. João, Mestre de Avis, futuro D. João I, sitiaram a zona amuralhada, desencadeando ataques de arqueiros a partir do Templo Romano e da Sé de Évora que, no entanto, se revelaram infrutíferos. As portas da praça só foram franqueadas quando os fiéis à causa do novo Rei aprisionaram os familiares dos sitiados que residiam na cidade e ameaçaram executá-los.

 

Com a expansão da cidade, a construção da Muralha Fernandina, que envolve o Centro Histórico de Évora, e os avanços da artilharia, o antigo Castelo Velho perdeu as suas funções defensivas primitivas e ganhou importância enquanto sede de poder militar, político e administrativo e como espaço de residência dos seus titulares.